Anarquistas, Ateus e Agnósticos
quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013
Christiania: a Cidade Anarquista
Christiania: A Lenda da Liberdade No coração gelado do capitalismo europeu, na fria Copenhagen, Dinamarca, uma comunidade de 10 mil pessoas vive num outro compasso. Cristiania não tem prefeito, não tem eleição e funciona sem governo, sem imposição de leis que controlem a organização social. A lenda da cidade-livre da Dinamarca é real: inspirada no Anarquismo, Christiania resiste há mais de 20 anos, inventando um jeito novo de conviver com os problemas da vida comunitária. Limpeza das ruas, rede de esgoto, manutenção dos serviços básicos, tudo é decidido e feito a partir de reuniões entre os moradores da cidade.
Eles se definem como uma comunidade ecologicamente orientada, com uma economia discreta e muita autogestão, sem hierarquia estabelecida e o máximo de liberdade e poder para o indivíduo. Uma verdadeira democracia popular direta, onde o bom senso e o diálogo substituem as leis. No Brasil, poucos conhecem a história da cidade-livre. O TESÃO vai contar, com exclusividade, a lenda da liberdade.
Christiania começou a escrever sua história em 1971. Foi a partir das idéias de um jornal alternativo, o Head Magazine, que um grupo de pessoas, de idades e classes sociais variadas, decidiu ocupar os barracos de uma área militar desativada na periferia de Copenhagen. Era o início de uma luta incansável contra o Estado. A polícia tentou várias vezes expulsar os invasores da área, mas sem sucesso. Christiania virou um problema político, sendo discutida no parlamento dinamarquês. A primeira vitória veio com o reconhecimento da cidade-livre como um “experimento social”, em troca do pagamento das contas de luz e água, até então a cargo dos militares, proprietários da área. O Parlamento decidiu que o experimento Christiania continuaria até a conclusão de um concurso público destinado a encontrar usos para a área ocupada.
Em 73 houve troca de governo na Dinamarca e a situação de radicalizou: o plano agora era expulsar todos e fechar o local. O governo decretou que a área seria esvaziada até o dia 1º de abril de 1976. Na última hora, o Parlamento decidiu adiar o fechamento de Christiania. A população da cidade-livre tinha se mobilizado para o confronto com o Estado, mas a guerra não aconteceu. O dia 1º de abril tornou-se o dia de uma grande manifestação da Dinamarca Alternativa. Ao longo dos anos, a cidade-livre aprimorou sua autogestão: casa comunitária de banhos, creche e jardim de infância, coleta e reciclagem de lixo; equipes de ferreiros para fazer aquecedores a lenha de barris velhos, lojas e fábricas comunitárias de bicicletas.
A década de 80 foi marcada pelas drogas. Em 82, o governo começou uma campanha difamatória contra Christiania: a cidade-livre era considerada o centro das drogas do Norte da Europa e a raiz de muitos males. A comunidade teve então que organizar programas de recuperação de drogados e expulsar comerciantes de drogas pesadas, como a heroína. O mercado de haxixe continua funcionando normalmente. O governo dinamarquês nunca deixou Christiania em paz, Vários planos foram elaborados visando a “normalização e legalização” da área.
Em janeiro de 92, finalmente um acordo foi assinado. Christiania já tinha mais de vinte anos de independência e provara ao mundo que é possível viver em liberdade. Mesmo com o acordo, o governo ainda tenta controlar a cidade-livre. A resposta veio no ano passado, com o lançamento do Plano Verde, onde os moradores de Christiania expressam sua visão de futuro e que rumos tomar. A lenda de Christiania continua sendo escrita.
Christiania: uma cidade sem governo
Christiania II: Uma Cidade sem Governo Christiania tem provado ao mundo que é possível viver numa sociedade sem autoridade constituída, sem delegação de poder através de mandatos e eleições. A cidade-livre da Dinamarca criou um experimento social definitivo contra a idéia dominante de que a humanidade se auto-destruirá se não existir um controle sobre a liberdade individual.
Os habitantes de Christiania decidiram correr o risco de andar na contra-mão da história. Para eles, o governo, seja lá qual for, e seus mecanismos de administração pública são sinônimos de burocracia, abuso de poder e corrupção.
Vivendo sem a necessidade de leis que controlem a organização social, cada morador da cidade livre tem que fazer sua parte enquanto cidadão e confiar que todos farão o mesmo. É uma nova ética de convivência, baseada na honestidade e na solidariedade.
Em 23 anos de existência, a cidade-livre sempre esteve associada a rebelião contra a ordem estabelecida e experimentando novos meios de democracia e formas de autogestão da administração pública. Christiania se organiza em vários conselhos, onde todos os moradores têm direito a opinar e discutir os problemas comunitários. As decisões não são feitas por votação, mas sim através do consenso. Isso significa que não é a maioria que decide e sim que todos tem que estar de acordo com as decisões tomadas nas reuniões. Às vezes, contam-se os votos somente para se ter uma idéia mais clara das opiniões, mas essas votações não tem nenhum significado deliberativo, não contam como uma solução para os problemas da comunidade. Christiania é dividida em 12 áreas, cada uma administrada pelos seus moradores, para facilitar o funcionamento dos serviços básicos. As decisões tomadas sempre por consenso podem parecer difíceis para nós, brasileiros acostumados ao poder da maioria sobre a minoria (pelo menos, é assim que se justificam os defensores das eleições).
Mas para os habitantes da cidade-livre, o consenso só é impossível quando existe autoritarismo, quando alguém tenta impor uma opinião sem dar abertura para que outras idéias apareçam e até prevaleçam como melhor solução. A experiência tem ensinado aos moradores de Christiania que cada reunião deve discutir só um assunto, principalmente na Reunião Comum, que decide sobre os problemas mais importantes da comunidade. E, contrariando o pessimismo dos que não conseguem imaginar uma vida sem governo institucional, a utopia está dando certo: a vida comunitária de Christiania preserva a liberdade individual e constrói uma eficiente dinâmica de relacionamento social, livre do autoritarismo e da submissão. A cidade-livre vive o anarquismo aqui e agora.
Ação Direta
Os moradores da Christiania fazem questão de ser uma pedra no sapato do capitalismo. Eles não se contentam apenas em incomodar os valores tradicionais da sociedade européia com a vida alternativa que levam. Christiania também desenvolve várias atividades com o objetivo de contestar o sistema capitalista e divulgar as idéias anarquistas.
Durante os primeiros anos, a cidade-livre se tornou conhecida por suas ações no teatro e na política. E quem conseguiu maior sucesso nessa área foi o grupo Solvognen. Uma de suas ações diretas mais famosas foi em 1973, quando a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte), uma espécie de braço armado dos Estados Unidos na Europa, realizou um encontro de cúpula em Copenhagen. Inspirados no programa de rádio “Guerra dos Mundos” de Orson Welles, que simulou uma invasão de marcianos colocando em pânico a população norte-americana na década de 40, centenas de pessoas, lideradas pelo grupo de teatro de Christiania, fizeram parecer que um exército da OTAN tinha ocupado a Rádio Dinamarca e outros pontos estratégicos da cidade. A impressão que se tinha era que a Dinamarca estava ocupada por forças estrangeiras. Durante várias horas, o país inteiro ficou em dúvida se a invasão era teatro ou realidade. A ação foi uma dura crítica a intervenção dos Estados Unidos na vida dos países europeus.
O Solvognen também usou a critividade para contestar o comércio da maior festa do cristianismo. Em 1974, o grupo organizou o primeiro Natal dos Pobres da Dinamarca. Milhares de presentes foram distribuídos por um batalhão de Papai Noéis. Detalhe: os presentes eram artigos roubados das lojas de Copenhagen. Resultado: foram todos presos, mas o escândalo ganhou as manchetes dos principais jornais da europa, com fotos de dezenas de Papais Noéis sendo carregados pela polícia. Até hoje o Natal dos Pobres continua sendo organizado como uma tradição e todo ano aproximadamente 2 mil pessoas recebem uma grande ceia em Christiania. Vote Nulo.
Fonte: www.brnpunk.cjb.net/ e www.christiania.org
Candidato a papa é homofóbico e defende pena de morte para gays
Desde a última segunda-feira (11) em que Joseph Ratzinger (Papa Bento XVI) renunciou ao posto de Papa, em pouco tempo já surgiram alguns nomes que podem sucedê-lo.
Peter Turkson, Cardeal de Gana, é um dos mais fortes candidatos e se for escolhido, se tornará o primeiro papa negro e africano da história.
Mas esse possível sucessor com grandes chances de conquistar o papado já possui um histórico polêmico. De acordo com informações do site “Queerty” ,Turkson seria homofóbico e defenderia a pena de morte para homossexuais em Uganda, um projeto de lei que tramita no Poder Legislativo do país.
Já em entrevista para o site “The Telegraph”, ele diz que é preciso ‘encontrar maneiras de lidar com os desafios da sociedade e da cultura’, acrescentando que a Igreja precisava “evangelizar”, ou converter, os que tinham abraçado “estilos de vida alternativos, tendências ou questões de gênero”. “Nós não podemos falhar em nossa missão de fornecer orientação”, disse.
Ainda segundo o site “Queerty”, outra atitude inexplicável de Peter Turkson, foi criticar o secretário-geral da ONU (Organização das Nações Unidas), Ban Ki-moon, quando o mesmo pediu que o continente africano acabasse com a criminalização da homossexualidade.
“Quando você está falando sobre o que é chamado de “estilo de vida alternativo”, são estes os direitos humanos? Ele (Ban Ki-moon) precisa reconhecer que há uma sutil distinção entre moralidade e direitos humanos, e é isso que precisa ser esclarecido”, afirmou, insinuando que defender os LGBT não é uma questão de direitos humanos.
Vale Lembrar que Gana é um país da Africa Ocidental que ainda condena a homossexualidade.
Em um comunicado oficial, Bento XVI, que tem 85 anos, afirmou que vai deixar a liderança da Igreja Católica Apostólica Romana devido à idade avançada, por “não ter mais forças” para exercer as obrigações do cargo.
A Santa Sé anunciou que o papado, exercido pelo teólogo alemão desde 2005, vai ficar vago até que o sucessor seja escolhido. Segundo o porta-voz Federico Lombardi, o que se espera que ocorra “o mais rápido possível” e até a Páscoa.
Fonte: http://virgula.uol.com.br/ver/noticia/lifestyle/2013/02/13/319375-um-dos-mais-fortes-candidatos-a-papa-e-homofobico-e-defende-pena-de-morte-para-gays-diz-site
Ativistas são detidas em Moscou ao tentar homenagear grupo Pussy Riot com “Tulipas”
Duas professoras depositavam tulipas em homenagem às ativistas presas, quando foram abordadas por policiais
Duas mulheres encapuzadas foram presas nesta quinta-feira (21/02) em frente à Catedral de Cristo Salvador de Moscou, mesmo local onde há um ano o grupo punk Pussy Riot realizou um manifesto contra o presidente da Rússia, Vladimir Putin.
A polícia informou que duas pessoas com capuzes estavam em frente à catedral, tentando organizar uma ação de protesto “não autorizada”.
Segundo o jornal Nóvaya Gazeta, as duas pessoas, detidas por “alterar a ordem pública”, são Yelena Vólkova e Irina Katsuba, duas conhecidas professoras universitárias e ativistas.
“Colocamos os capuzes e tentamos depositar flores no altar. Posteriormente, tiraram nossos capuzes de maneira muito agressiva e, quando lançamos as flores sobre a cerca do altar, uma mulher se aproximou e arremessou as mesmas de volta em nossos pés”, afirmou Yelena à publicação.
As duas detidas alegaram que estavam apenas depositando ramos de tulipas para celebrar a ação do grupo Pussy Riot, do qual duas integrantes continuam presas sob a pena de dois anos de prisão.
“Os policiais tentaram nos dar uma lição: O que vocês fazem aqui? E nós respondemos: celebrando o aniversário de um acontecimento que mudou a vida de nosso país”, acrescentaram as ativistas.
“Isto não mudou em nada a vida do país. Essa mudança ocorreu apenas em suas cabeças. Mas, isto nós curamos no Instituto Serbski”, responderam os policiais, em alusão a um conhecido hospital psiquiátrico de Moscou.
Segundo a imprensa local, após o incidente registrado, a Polícia isolou o principal templo ortodoxo do país para evitar novas ações em homenagem ao grupo punk Pussy Riot.
Fonte: http://operamundi.uol.com.br
Feministas protestam no julgamento do New Hit.
Esta semana que passou, como muitxs de vocês sabem, começou o julgamento dos integrantes da banda New Hit.

No dia 26 de agosto de 2012, na cidade de Ruy Barbosa, na Bahia, duas adolescentes foram estupradas por nove homens integrantes da New Hit, dentro do ônibus do grupo. As meninas se dirigiram ao veículo para pedir autógrafos e parabenizar um dos integrantes, que fazia aniversário. Lá, foram violentadas de forma brutal, com a conivência e também violência de um policial militar.

Entre os dias 18 e 20 de fevereiro, também em Ruy Barbosa, aconteceu a primeira audiência de instrução. É o momento em que a juíza ouve vítimas, testemunhas, defesa e acusação. Como não foi crime contra a vida, os estupradores não vão a Júri Popular, são julgados pela própria juíza a partir dos materiais colhidos na audiência de instrução.

O julgamento começou, mas está longe de ser concluído. Foi adiado para setembro. E, por mais vergonhoso que possa parecer, a banda continuará fazendo shows pelo nordeste. Sim, eles estão faturando alto em cima da fama que conseguiram. A repercussão foi ótima pra eles. O estupro compensa — é a mensagem que está sendo passada pela lerdeza da Justiça e o habeas corpus para que respondam em liberdade. Por isso é fundamental que haja protestos e boicotes aos patrocinadores em cada cidade que a banda for se apresentar. Todo o nosso apoio nas redes sociais é essencial.

Houve muitos protestos em frente ao fórum esta semana. Pedi a essas feministas, essas minhas heroínas incansáveis, que escrevessem um guest post contando como foi estar lá, lutando contra os estupradores, dando força pras vítimas. Maíra Guedes, 26 anos, professora e integrante da Marcha Mundial das Mulheres, na Bahia, atendeu o meu pedido.
Só queria dizer, antes de lhe passar a palavra, que tenho muito orgulho de vocês. Parabéns a todas essas meninas lindas, que tão bem representam o feminismo. Eu me sinto um pouquinho aí em Ruy Barbosa através de vocês. Obrigada pela luta!
Só queria dizer, antes de lhe passar a palavra, que tenho muito orgulho de vocês. Parabéns a todas essas meninas lindas, que tão bem representam o feminismo. Eu me sinto um pouquinho aí em Ruy Barbosa através de vocês. Obrigada pela luta!

Depois de quatro dias em Ruy Barbosa, voltamos para nossas casas. Mulheres vindas de diferentes lugares da Bahia: Salvador, Feira de Santana, Itabuna, Cruz das Almas, Cachoeira, Vitória da Conquista, Juazeiro… Todas com os olhos vibrantes, olhando umas para as outras com muita admiração, carinho e força. Seguiremos construindo ações em torno do caso New Hit. Firmamos um compromisso coletivo e não deixaremos que o caso caia no esquecimento, sabemos que é necessária a ação.

Chegamos em Rui Barbosa no dia 17, domingo, as 16h. Não imaginávamos como seria a recepção das moradoras e moradores da cidade. Assim que descemos do ônibus, colocamos nossas mochilas na escola municipal que ficamos alojadas, fomos pedir informações nas casas vizinhas. As moradoras saíram à porta e colocaram tudo a nossa disposição: panelas, chuveiros, gritos e punhos.

A decisão de ir a Ruy Barbosa foi tomada em outubro de 2012, quando o desembargador Lourival Trindade concedeu o habeas corpus aos nove integrantes da Banda New Hit e ao policial militar que foi conivente com a violência sofrida pelas duas adolescentes. Decidimos realizar um escracho feminista, inspiradas nas ações recentes realizadas no Chile, Argentina e Brasil para escrachar torturadores da ditadura militar. No caso dos escrachos contra torturadores da ditadura a palavra de ordem é: “Aqui mora um torturador” Em nosso caso, fomos até a casa de veraneio de Eduardo Martins, estuprador e vocalista da banda, e dissemos: “Aqui mora um estuprador!” Afirmamos que “Enquanto não houver justiça, haverá escracho feminista!”.

A possibilidade de mais uma vez os estupradores permanecerem livres e as vítimas encarceradas nos fez questionar, na ação, algumas questões: por que apenas 2% dos agressores de mulheres são condenados num país em que a cada 3 minutos uma mulher é violentada e que nos últimos 10 anos 43,7 mil mulheres foram assassinadas? Por que quando mulheres apanham, são estupradas, queimadas por homens, inúmeras são as justificativas aceitas pelo Estado de Direito Brasileiro para não condenar agressores e assassinos de mulheres? “Ela mereceu. Ela reagiu. Ela consentiu.” O caso New Hit traz mais uma vez à tona a discussão da conveniente culpabilização da vítima pela violência sofrida, da naturalização do estupro e das formas de prevenir e combater a violência contra a mulher.

Durante os quatro dias que ficamos em Rui Barbosa realizamos ações por toda a cidade. Todo dia tinha operação lambe-lambe, teatro, batucada, música e debates. Fizemos formação política auto-organizada com diversos temas, teve análise de conjuntura, desafios do projeto feminista e popular, debate sobre violência contra a mulher, sobre política de encarceramento, sobre políticas públicas e racismo.

Nos utilizamos de linguagens diferentes para exigir a condenação dos estupradores. E a cada ação mais mulheres juntavam-se a nós e mais fortes ficávamos. Caminhando na rua encontrávamos também com os defensores dos estupradores, entre eles o empresário e produtor da banda, Sacramento, que num dos dias passou de carro por nós, soltou um beijo e disse: “Senta na minha pick-up!” Isso só fez aumentar nossa raiva e revolta. O argumento “elas entraram no ônibus porque quiseram, sabiam o que iria acontecer”, foi um dos que mais enfrentamos com a síntese: “Isso não é sobre sexo, é sobre violência. Estupro é crime. A culpa nunca é da mulher.”

Na segunda-feira, dia 18, já em frente ao fórum, quando gritávamos palavras de ordem com punhos cerrados, uma senhora me disse: “Minha filha, pra que tanta raiva desses meninos? Eles erraram, mas são meninos bons.” Eu sorri e respondi: “Não minha senhora, eles não são meninos bons. Nove homens estupraram duas meninas. O que elas viveram foi uma sessão de tortura. Enquanto uma delas era penetrada à força, ao mesmo tempo era segurada por outro que se masturbava e tentava colocar o pênis na boca dela. Ela recebia tapas no rosto e na bunda. Sangrava. No mesmo momento, a outra menina era violentada no banheiro em alternância.” A senhora ficou em choque. Pediu que eu parasse. Eu olhava no olho dela sem piscar. E disse: “Minha senhora, isso é amor pela vida das mulheres, amor pela humanidade. Nossa luta é por justiça”. Ela ficou atônita.

Algum tempo depois os estupradores chegaram e de imediato, guiadas pela indignação, furamos o bloqueio policial e fomos pra cima deles. Nesse momento a força que explodia em nossas vozes e corpos fez com que 2, 3, até 4 policiais fossem necessários para segurar cada uma de nós. Quando fomos arrastadas de volta ao limite estabelecido pela juíza, a senhora que antes havia dito que os estupradores eram meninos bons, me ofereceu água com os olhos marejados e com a voz baixa agradeceu por fazê-la sentir viva.

Outro momento forte aconteceu depois da cena sobre estupro que fizemos em frente ao fórum. Foi quando uma fã do New Hit entrou em nossa ciranda. A amiga dela falou “Oxe! Sai dai!”, e ela respondeu “Eu não. Vou ficar aqui com as meninas.” O riso tomou conta. Cada mulher que conquistávamos era uma vitória. E todo dia a roda crescia.
Outro momento de muita beleza foi quando recebemos a carta das vítimas:
Outro momento de muita beleza foi quando recebemos a carta das vítimas:
“Ei Meninas,
Como vocês sabem esses últimos seis meses não foram fáceis pra nós. Por causa da nossa coragem tivemos que abrir mão de muita coisa. Estamos longe da nossa família, de amigos e sem meios de comunicação.
Como vocês sabem esses últimos seis meses não foram fáceis pra nós. Por causa da nossa coragem tivemos que abrir mão de muita coisa. Estamos longe da nossa família, de amigos e sem meios de comunicação.

Então aproveitei a oportunidade para agradecer a cada uma de vocês que saíram de suas cidades, de suas casas para vir até Ruy Barbosa nos dar força, mostrar que não estamos sozinhas e que temos que seguir esta batalha. Em vários momentos eu cheguei a mim (sic) culpar, a desisti de tudo. Mas sempre lembramos que não estamos sozinhas. Temos todas vocês nos apoiando e lutando junto com a gente (…)”.

Pulsávamos força, certeza, fogo e afago.

Vivemos um momento na conjuntura da vida das mulheres em que
a classe dominante patriarcal tenta consolidar a ideia de que a igualdade já foi alcançada e a luta feminista não é mais necessária. Essa ideia tenta ser difundida principalmente nos países que, por exemplo, possuem mulheres na presidência, ou em outros cargos importantes do Estado.

Porém, os dados relativos aos índices de violência às mulheres da classe trabalhadora são alarmantes. O que aconteceu em Rui Barbosa acontece todos os dias. É preciso estar em luta todos os dias. A conivência com a violência contra a mulher não está dissociada da forma como a sociedade se estrutura. Reagir é organizar-se em torno de um projeto de sociedade que garanta nossos direitos sociais, entre eles saúde, educação, reforma agrária… Para nós é preciso mudar a vida das mulheres para mudar o mundo, mudar o mundo para mudar a vida das mulheres.

Não podemos permitir a naturalização de atrocidades como essa cometida pelos integrantes da banda New Hit, de tamanha barbaridade e crueldade, fundamentadas no machismo que subordina, oprime e assassina milhões de mulheres. É preciso reagir de forma coletiva. É preciso ser Mulheres.

Uma das coisas mais importantes que aprendemos com a luta feminista é a solidariedade entre as mulheres. É revigorante a todo momento olhar para os lados e enxergar companheiras. É preciso que nossos corpos se tornem as armas contra o machismo, que nossa voz junte-se a outras tantas vozes. “Se antes éramos carne, é hora de ser a navalha”. Enquanto não houver justiça, haverá escracho feminista.

À ação, mulheres! Sejamos nós raio, trovão e ventania. Porque sem feministas, não há feminismo!
Eu tô na rua, é pra lutar,
por um Projeto Feminista e Popular!
por um Projeto Feminista e Popular!
O que esses 3 tem em comum ? Anarquistas, Ateus, e Agnósticos.
Anarquistas, Ateus e Agnósticos... 3 "espécies" e um pensamento em comum, a liberdade mental, a liberdade aprisionada pela religião... Bom, é isso que temos em comum, e com nosso blog vamos tentar mostrar isso pra vocês !
Espero que vocês meus amigos revolucionários gostem do blog !
Espero que vocês meus amigos revolucionários gostem do blog !
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